A inflação na Argentina chegou a 6,27% em março. Trata-se do maior índice desde a crise de 2002, há duas décadas. Na avaliação de diversos especialistas, a situação é fruto de políticas populistas e modelos econômicos fracassados, que têm contribuído para o empobrecimento geral.

Não à toa, o país tem sido palco de diversos protestos. A população cada vez mais cobra algum tipo de ação do presidente Alberto Fernández. Nos últimos 12 meses, a taxa inflacionária chegou a mais de 55%.

Nesse contexto, os mais pobres são penalizados. Somente nos três primeiros meses deste ano, os valores de alimentos e bebidas alcoólicas subiram quase 20%, o que representa cerca de 3,5 pontos a mais do que a inflação do trimestre.

Esse colapso financeiro corrói a renda principalmente de setores mais vulneráveis, e deve impactar os índices de pobreza, que atingia 43,8% da população no final do ano passado, conforme dados do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA).

Além de déficits fiscais crônicos e anos de políticas econômicas pouco efetivas, que foram exacerbadas no atual governo peronista, a estratégia de congelar os preços de alguns itens básicos para conter a escalada inflacionária também não conseguiu proteger o bolso do consumidor.

Dados oficiais divulgados nesta última quinta-feira (21) revelam que, em março, os preços da cesta básica total, que inclui itens alimentares e não alimentares básicos para não estar na linha de pobreza, voltou a superar a inflação e aumentou 7%.

“Os aumentos de preços chegam todos os dias para nós. Há pouco chegou a notificação para nós um aumento de uma empresa de pilhas, de entre 19% e 20%. Isso não é somente agressivo, mas nos deixa sem rentabilidade”, lamentou Fernando Savore, presidente da Federação de Donos de Armazéns da Província de Buenos Aires.

Nos últimos dias, diversos protestos foram organizados por movimentos sociais, que tomaram as ruas da capital argentina. O sentimento dos manifestantes pôde ser resumido em uma faixa que diz: “produzimos, mas ainda somos cada vez mais pobres”.





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