Uma polêmica envolvendo um áudio do ministro da Educação, Milton Ribeiro, tem repercutido amplamente em Brasília, e deve ser estender pelos próximos dias.

Na gravação, divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, o integrante do Executivo afirma que, a pedido de Jair Bolsonaro (PL), repassa verbas da pasta para municípios indicados por pastores evangélicos.

Depois que o áudio veio à tona, Ribeiro se manifestou e negou que o mandatário tenha feito o pedido, além de rejeitar a possibilidade de influência de religiosos nas decisões tomadas pelo Ministério da Educação (MEC).

O QUE DIZ O ÁUDIO?

Na gravação, feita durante uma reunião com prefeitos, o ministro afirma: “Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar.”

No encontro, estavam presentes, além dos prefeitos, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. Logo em seguida, Milton Ribeiro continua: “Porque a minha prioridade é atender primeiro aos municípios que mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar.”

Ao falar mais sobre o assunto, ele indica haver uma espécie de contrapartida a fim de que o repasse de verbas seja efetivado, mas não expõe detalhes. “Então, o apoio que a gente pede não é segredo. Isso pode ser [inaudível], é apoio sobre construção das igrejas”, declara.

QUEM SÃO OS PASTORES?

Gilmar Santos – 61 anos, comanda em Goiânia (GO) o Ministério Cristo Para Todos, uma das várias vertentes da Assembleia de Deus. É formado em Teologia e doutor em Divindade, já palestrou e pregou em diversos continentes e dirige o Instituto Teológico Cristo para Todos (ITCT), além de presidir a Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil (Conimadb).

Arilton Moura – Não é ativo nas mídias sociais, mas aparece como residente no Pará. Segundo a Conimadb, ele esta à frente do Conselho de Ética da entidade. Em maio de 2018, foi secretario estadual de Integração de Ações Comunitárias, nomeado pelo então governador Simão Jatene (PSDB), sendo exonerado em 1º de novembro daquele mesmo ano. Em consulta ao site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) paraense, figura como presidente estadual do antigo PHS, sigla incorporada pelo atual Podemos.

RELAÇÃO COM AUTORIDADES

Ambos os líderes possuem relações e transitam em diversos gabinetes em Brasília. Há fotos deles com Bolsonaro, ministros do governo e parlamentares do Congresso. Somente em 2021, os dois estiveram com Milton Ribeiro pelo menos 18 vezes, segundo registros oficiais.

OUTRO LADO

Em nota à imprensa, o ministro da Educação se justificou. Disse que não favorece ninguém e isentou Bolsonaro da situação.

“Não há nenhuma possibilidade de o ministro determinar alocação de recursos para favorecer ou desfavorecer qualquer município ou estado”, escreveu.

“Registro ainda que o presidente da República não pediu atendimento preferencial a ninguém”, completou o chefe do MEC.

MOURÃO COMENTA

O vice-presidente da República disse nesta quarta-feira (23) que vê o ministro da Educação como alguém honesto. Sobre a polêmica, analisa que ela precisa ser esclarecida.

“O que eu, na minha visão que eu tenho a respeito do trabalho do ministro Milton, é que ele é uma pessoa que é honesta, ele tem honestidade de propósito, ele é uma pessoa extremamente educada, cautelosa nas coisas. Então eu acho que tem que esclarecer essa situação aí para se chegar a uma conclusão do que realmente ocorreu e se realmente houve algo que não seja realizado dentro dos princípios da administração pública”, afirmou Hamilton Mourão.

FICA OU SAI?

Algumas entidades, a maioria ligada à esquerda, pressionam o Palácio do Planalto para que Ribeiro seja substituído.

Segundo a União Nacional dos Estudante (UNE), a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), foi estabelecido no MEC um “gabinete paralelo” que funciona “às margens da legalidade”.

Parlamentares da oposição ingressaram com ações no Supremo Tribunal Federal (STF). Na Câmara, foram expedidos pelo menos 5 pedidos para que o ministro dê explicações em plenário. Os pleitos, no entanto, ainda precisam ser votados.

VERSÃO DOS PASTORES

Cumprindo a ética jornalística, o Conexão Política tentou contato com os dois religiosos citados na matéria, que ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto em caso de resposta.





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