Aliados do Partido dos Trabalhadores (PT) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva saíram em defesa do ex-governador paulista Geraldo Alckmin (sem partido) após o nome do ex-tucano aparecer em uma delação premiada.

Conforme noticiado pelo Conexão Política, um ex-executivo da Ecovias, empresa que possui concessão de rodovias em São Paulo desde 1998, acusou o político de receber R$ 3 milhões a título de caixa dois.

Cotado para ser vice de Lula, Alckmin negou as acusações e disse não conhecer os termos da colaboração premiada homologada pela Polícia Federal (PF). Além disso, indicou estar sofrendo perseguição política pelo fato de ser ano eleitoral.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) foi um dos integrantes do petismo que defendeu o ex-tucano. Segundo ele, a citação do nome do ex-governador em um possível caso de caixa dois não atrapalharia a possibilidade de ele ser candidato a vice-presidente ao lado de Lula.

Para Teixeira, a palavra do delator não constitui prova, portanto, como o PT defende a presunção de inocência, não seria um impeditivo para a legenda esquerdista.

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que organizou o jantar entre Lula e Alckmin em dezembro do ano passado, também condenou as acusações. Na visão dele, chegou a hora de discutir e possivelmente alterar o instituto da delação premiada no Brasil.

“Não há surpresa alguma na tentativa de se atingir a honra do Alckmin, em especial agora quando o seu nome é cogitado para compor a chapa do Lula, franco favorito para as próximas eleições presidenciais. Velha receita, criminosa, oportunista e nem um pouco criativa”, declarou o jurista.

Mudança de rota

Se agora o petismo defende Alckmin, a situação não era a mesma em anos anteriores. Em 2018, o então líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), chamou de “escândalo” o fato de uma investigação contra o então tucano ter sido movida para a Justiça Eleitoral em vez de ser julgada no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“É inadmissível que, de maneira irregular, essas acusações tenham sido retiradas do âmbito da Lava Jato e tenham sido destinadas para investigação no âmbito da Justiça Eleitoral de São Paulo. É algo gritante do ponto de vista da seletividade”, afirmou, na ocasião.

Em 2014, o então presidente estadual do PT em solo paulista, Emídio de Souza, disse que os dirigentes e congressistas do PSDB eram incoerentes quando apontavam os escândalos envolvendo a Petrobras durante as gestões Lula-Dilma.

“Os tucanos que hoje gritam contra o PT são os mesmos que emudeceram quando o PSDB foi apanhado no trensalão em São Paulo”, argumentou, em referência à investigação do Ministério Público sobre uma máfia em licitações de trens nas gestões Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.

Em abril de 2015, o site oficial do PT publicou um artigo em que sugeriu acusações de corrupção contra o ex-governador. Segundo o texto, “dos R$ 40,3 milhões arrecadados com doações de campanha pelo então candidato tucano Geraldo Alckmin, ao governo de São Paulo, em 2014, R$ 12,37 milhões tiveram origem nas 13 empresas denunciadas por fraudes e formação de cartel em contratos relativos à linha 5 do metrô paulistano”.





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